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P.A Entrevista #9 - Solon Maia

quinta-feira, 16 de junho de 2016

A entrevista da semana é com o desenhista e médico Solon Maia. Ele é o responsável por desenhar e roteirizar as Tirinhas do site "Meus nervos", onde ele mostra através de suas historias a rotina de um médico, mostrando os desafios e problemas da profissão. Além disso, Solon é também médico e tem muita propriedade para falar de uma das profissões mais importantes da nossa sociedade.

 
 1-) Como surgiu a ideia de desenhar tirinhas?
Desenho desde criança, aliás não me lembro de uma época em que eu não desenhasse. No final de 2010 ocorreu um crescimento enorme de Webcomics(site com tiras e cartuns), e alguns deles me chamaram atenção pela simplicidade. Foi ai que pensei: eu sei desenhar e adoro quadrinhos. Por que não fazer a minha própria série? Foi então que tive a ideia de unir esse projeto ao cotidiano médico, como forma de manter meu hobby, divulgar meu trabalho, lutar pela profissão, desabafar sobre as mazelas da medicina, extravasar a minha revolta com muita coisa que julgo errada, fazer minhas criticas e ainda levar humor para as pessoas. Foi ai que surgiu o "Meus nervos".
 
2-) As tirinhas que você desenha refletem o dia a dia dos hospitais de que maneira?
As minhas tiras se concentram principalmente na fragilidade que existe na relação médico-paciente. De um lado profissionais estressados, desacreditados e que sofrem cada vez mais nas mãos do governo, planos de saúde e questões jurídicas/legais. Do outro lado pacientes sofrendo, fragilizados e ansiosos. Dentro desse contexto seria estranho se não ocorressem problemas. É dai que vem grande parte do meu humor. Reconheço os problemas da medicina, mas enfatizo nas minhas tiras a defesa da minha classe. Eu diria que o "Meus nervos" é a medicina retratada do ponto de vista de um jovem médico recém-ingresso no mercado de trabalho, que se depara com imensas dificuldades que, na maioria das vezes, são ignoradas pela grande maioria das pessoas. O site mostra o lado áspero e árduo da medicina.
 
3-) Por que você escolheu medicina?
Eu não suporto a área de humanas, também odeio exatas, mas adorava a área de biológicas. Fiquei em duvida entre Educação física, biologia, veterinária e medicina. Acho que eu gostaria de trabalhar em qualquer uma das quatro, mas ai pesaram alguns fatores: acesso ao mercado de trabalho, valorização profissional, possibilidade e previsibilidade de renda, estabilidade e realização pessoal. Em todos esses quesitos a medicina se mostrou superior na minha forma de ver as coisas, e então resolvi encarar a empreitada.
 
4-) Como lidar psicologicamente com a rotina e problemas da profissão?
Tento colocar na cabeça que todas as profissões tem seus problemas, e que preciso me conformar com os da medicina, pois foi isso que escolhi. Também procura entender que as pessoas doentes tendem a ser mais ansiosas, fragilizadas e aqueles que vivem indo ao médico são uma "amostra viciada" da população, ou seja, são pessoas já calejadas, cansadas e traumatizadas. Outro ponto de vista que assumo é o fato de sermos um país subdesenvolvido. Não posso esperar uma clientela muito bem educada  e cheia de bons modos, é incompatível com o local em que vivemos. Por ultimo, procuro não levar para casa problemas do trabalho. Tento ser uma pessoa la e uma pessoa em casa, para tentar ter um pouco de paz e não deixar que o peso da profissão acabe com a minha vida pessoal.
 
5-) Como os pacientes podem ajudar ao irem para o Pronto socorro?
Ajudaria muito se soubessem que Pronto socorro é para urgência e emergências, e não para atendimento ambulatoriais. As pessoas lotam as emergências das unidades de saúde, na grande maioria das vezes, sem nenhuma necessidade. Quando você vê um Pronto socorro lotado, com umas 80 pessoas, pode ter certeza de que no máximo 8 deveriam realmente estar ali. Uma forma de identificar se você precisa ir ao Pronto socorro é imaginar a seguinte situação: uma chuva torrencial com raios, ventanias, trovões e partes da cidade alagadas. Você começa a passar mal. Se você resolve esperar a chuva passar para poder procurar um médico, é porque o seu caso não é urgência e nem emergência. Se fosse, você sairia no meio do temporal. As outras formas de ajudar são: não brigar, não xingar, não ameaçar, não gritar, etc. Também é bom que não levem a família inteira junto e também estejam acompanhadas de pessoas equilibradas, menos ansiosas e que possam ajudar no atendimento. Também é muito importante que identifiquem bons serviços em sua cidade, nos quais tenham confiança e boas referências. Hospitais sempre cheios, dos quais as pessoas vivem reclamando, dificilmente prestarão um bom atendimento.
 
 


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