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P.A Entrevista #3 - Pablo de Assis

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Nesta semana entrevistamos o Psicólogo e professor universitário Pablo de Assis. Hoje vivemos em um mundo onde as doenças mais frequentes tem atingido a mente das pessoas, pois não é raro hoje ouvir que alguém esta com depressão ou síndrome do pânico. Sendo assim, nesta entrevista o Psicólogo Pablo de Assis nos traz uma visão sobre estes problemas e como é a vida de um Psicólogo.


1-) Por que você escolheu Psicologia?
Quando eu estava no final de ensino médio eu precisava escolher um curso. Eu queria Física, Filosofia ou Direito, mas não queria nenhum deles especificamente. Eu gostava de todas as áreas, mas sabia que queria trabalhar com pessoas, e assim eliminando as que não teriam esse rumo acabei caindo na Psicologia. No decorrer do curso eu percebi que esse era de fato o meu caminho.

2-) Por que hoje em dia os problemas psicológicos são mais destacados que antigamente?
Os problemas psicológicos sempre tiveram destaque, o problema é que só agora eles são reconhecidos como psicológicos. Eles já foram tidos como intervenção dos deuses, possessões demoníacas até mesmo como consequência de problemas sociais. Hoje em dia com o avanço da ciências psicológicas temos melhores condições de mostrar o que são esses problemas, como eles funcionam e como podemos lidar com eles.

3-) Remédios ou terapia? Qual é o melhor caminho para a cura de depressões, ansiedades e síndrome do pânico?
Essa é uma resposta capciosa, pois ela induz a uma resposta e não resolve o problema, e precisamos compreender o problema antes de querer propor respostas. O problema esta no sofrimento que vivemos, onde um tempo atrás, no final do século XIX sofrer não era tido como um problema ou uma doença. Sofrer não era errado ou indesejado, pelo contrário, o sofrimento era visto como uma possibilidade de construção de força e caráter. Foi só no século XX que sofrer passou a ser sinônimo de doença. Tanto a terapia quanto os remédios tem o mesmo objetivo: diminuir o sofrimento. Mas porque devemos diminuir o sofrimento? Qual o problema de viver frustrações, erros, luto? Nossa sociedade desaprendeu a lidar com sentimentos negativos e as igualou a doenças. Sofrimento não é doença, sofrimento é um sinal de que estamos vivos, de que temos um corpo e nos relacionamos com outras pessoas. Partindo desse ponto sabemos que a terapia pode nos ensinar a lidar com esse sofrimento, não só diminuí-lo, e os remédios só diminuem o sofrimento. Eu defendo que a terapia é o melhor caminho, não para curar de ansiedades e depressão, mas sim para cuidar das pessoas, independente da forma que elas venham sofrer.

4-) Como você administra como Psicólogo os diversos problemas que recebe das pessoas?
Existe uma recomendação dada pelo psicólogo e psiquiatra suíço Carl Jung que todos que pretendem cuidar das pessoas precisam também ser cuidados. E ao lidar com vários casos e várias demandas, o melhor é buscar terapia pessoal para aprendermos a lidar com os nossos próprios problemas , sem misturá-los com os problemas dos outros. Sempre desconfie de um psicoterapeuta que não tenha feito psicoterapia.

5-) Como uma pessoa pode ter uma qualidade de vida sem dar espaços para problemas mentais?
Quando falamos de problemas mentais, o senso comum associa isso com ansiedades e depressão, e o senso comum também diz que não devemos dar espaço para isso, como se fosse possível escolher um caminho sem problemas. Problemas sempre existiram e sempre existirão. Não acredito em doenças mentais, pois todos os nossos eventuais problemas não são doenças, e por isso não precisam ser eliminados ou curados. E problemas mentais devem ser lidados da mesma forma que lidamos com problemas não mentais, ou seja, tentando resolvê-los. Todos os problemas psicológicos são relacionais, ou, no mínimo estão na forma como o individuo lida com a relação com os outros e com o ambiente onde vive. Então, o maior problema psicológico que enfrentamos é o isolamento, o egoismo e a individualidade que precisam ser lidadas com as relações e a empatia. Sempre vamos sofrer, mas podemos aprender com o sofrimento a ser pessoas melhores, nos relacionando de forma mais positiva com as pessoas e o mundo que nos rodeia.


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