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A COPA E MINHAS HISTORIAS

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Já estamos em clima de Copa do mundo, parecia que os brasileiros iriam rejeitar o torneio, apesar de alguns ainda serem contra. Eu também não concordo com diversas coisas que foram feitas ao longo dos anos, não concordo com a corrupção, com os roubos e com os estádios desnecessários. Mas a Copa começou, e assim começa também a minha torcida, pois mesmo sendo 100% contra a corrupção eu sou 100% a favor da Copa do mundo e da seleção brasileira. Eu irei torcer a cada lance, gritarei gols com muita vontade e reclamarei da arbitragem com muita energia. Sim eu sou brasileiro e brasileiro torce pelo Brasil, assim eu penso!

Mas bem, o assunto é outro, quero falar das copas do mundo e suas lembranças. Faça esse exercício, tente se lembrar a onde você estava nas ultimas Copas do mundo, com quem assistiu, qual era o momento que você estava passando na sua vida. Eu me lembro das Copas que eu já assisti, gosto até de brincar dizendo que a nossa vida é dividida por Copas do mundo.Me lembro onde assisti os jogos, com quem eu estava assistindo e situações da minha vida e a situação do nosso país naquela época. Vamos viajar:

1994 -  É tetra, é tetra, é tetra


Eu tinha apenas sete anos de idade, mas me lembro claramente de todos os jogos do Brasil, de cada gol, de cada narração empolgante do Galvão Bueno, pelo menos naquela época ele era empolgante, rs. Foi o ano da morte do Senna, onde o Brasil perdia o seu herói, mas ganhava outro: Romário. O baixinho jogou demais e o resultado nós sabemos, tetracampeão do mundo depois de vinte e dois anos sem vencer uma Copa. O país também vivia tempos de incertezas, aonde vínhamos da crise em nossa moeda e a chegada do Real. E em todo esse ambiente estava eu, uma criança ainda, que nada sabia dos anos de fila da seleção, mas que teve a oportunidade gritar campeão tão novo, assim a seleção já me deixava mal acostumado.

1998- A seleção me fez chorar


Realmente eu estava mal acostumado com a seleção, onde eu tinha certeza que ganharíamos aquela Copa. Nosso time era fantástico, Ronaldo era o melhor do mundo, estávamos bem, fizemos uma Copa excelente, até aparecer a França e Zidane. Aquela final me levou a ter raiva da seleção, pois era inacreditável perder assim daquele jeito, por isso todos até hoje dizem que a Copa foi comprada. Naquele dia eu chorei, e não foi de alegria ou tristeza, mas foi de raiva. O país, bem, em 98 as coisas estavam melhores, com muito menos desconfiança e mais esperança, e eu com onze anos tinha como grandes batalhas as provas da escola e a preocupação de passar de ano sem recuperação.

2002 – A madrugada virou dia


Acordar de madrugada nunca foi tão bom como nessa Copa, e olha que eu acordava todos os dias as três da manhã para poder assistir todos os jogos, desde os do Brasil aos do Japão. Era divertido chegar na escola e poder discutir sobre os jogos com os amigos, sim, bons tempos da adolescência, onde eu estava com quinze anos e estava em uma cidade e escola nova, era na verdade um recomeço para mim, assim como também era um recomeço para Ronaldo e companhia. Era o inicio da modernidade e globalização no planeta e nada mais justo que a Copa fosse na Ásia. A seleção brasileira jogou muito e eu torci muito pela recuperação do Ronaldo, que vinha de sérias contusões no joelho. O meu primo estava sempre em casa e vimos vários jogos dessa Copa juntos, e em outro momentos eram os meus tios. Tudo isso de madrugada. E a final? Que emocionante, pela segunda vez grito campeão com a seleção, e desta vez pude me divertir com meu tio em um churrasco na vila dele. Foram momentos de muita alegria.

2006 – Festas e bagunça


Se a Copa de 98 foi uma tristeza, essa de 2006 foi uma raiva gigante. Tínhamos tudo para ganhar novamente, tínhamos o famoso quadrado mágico composto por Ronaldo, Ronaldinho, Kaka e Adriano. Mas o quadrado quebrou e perdemos novamente para a França, novamente para o Zidane. Ali aprendi que não vale nada talento se não houver disciplina e treinamento. Os jogos eu assistia em família e outros com amigos, e como sempre todo jogo era uma festa e uma bagunça divertida. Eu agora com dezenove anos entrava no mercado de trabalho e tinha que me acostumar com as cobranças que o mundo nos faz, era o tempo de responsabilidades na minha vida. Detalhe, se alguém vir o Ronaldinho por ai avise que o showman do Barcelona ficou devendo nessa Copa, e olha que eu torci muito por ele neste ano.

2010 – O general Dunga


Em 2010 o povo queria uma seleção de estrelas, mas Dunga montou a sua seleção, com jogadores que ele confiava. Sendo assim não teve espaço para bagunceiros como Ronaldinho e Adriano e la fomos nós para essa Copa com o coração na mão. Foi difícil torcer por esta seleção, eu nem mesmo guardo bons momentos dela, pois era estranho, tinha muito cara ruim, mas entendo o Dunga, ele chamou os seus soldados, mas infelizmente eles perderam a guerra. Os únicos craques eram Robinho, Kaka e Luis Fabiano, muito pouco para quem queria o titulo. Eu me lembro de assistir os jogos com os amigos e foi muito legal, tanto que até no jogo que o Brasil perdeu nós fizemos festa. Eu já estava com 23 anos, vivendo na pele o quanto era dificultoso viver no planeta das dividas e problemas, mas mesmo assim seguindo em frente.

Chegou o ano de 2014, e a historia continua sendo escrita, que possamos ter boas historias para contar, muitos gols para gritar e o grito de campeão no fim da historia. Vamos torcer sim para Neymar e companhia, e fazermos a festa, pois a Copa é em casa, por mais que pareça e seja uma Copa feita para gringos vamos nos divertir também, porque a festa é no nosso quintal. Vai Brasil!





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