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Crônicas da Copa- Espanha 1x0 Argentina

terça-feira, 21 de julho de 2026

Quando a Copa começou eu fiz o obvio, escrevendo a respeito dos jogos da seleção brasileira. Acontece que eu não esperava que iríamos cair tão cedo, ainda que soubesse que não tinha como ser campeão. Sendo assim, escolhi escrever as crônicas sobre os jogos da Argentina. Poxa, são nossos vizinhos, mas para por ai. Não torci todas as partidas por eles, parei contra os ingleses e desde então queria vê-los perder. Se ganhassem estariam perto do Brasil em títulos e para piorar, esse papo de Messi ser melhor que o Pelé beira o absurdo. Não tem comparação. Como disse o próprio Pelé, primeiro eles precisam decidir quem é o melhor argentino. A final contra a Espanha mostrou que o bem venceu, a Argentina jogou de forma pífia, e os espanhóis foram bi campeões do mundo.


Não tem jeito, grandes jogos chamam a atenção de todo mundo, e até quem não é muito ligado no jogo para um pouco para ver. No dia anterior vi a disputa do terceiro lugar com amigos e todos só falavam da final, e sim, a velha discussão, de quem iria torcer para os argentinos ou não. Sou daqueles que acha que as pessoas são livres, elas torcem para quem elas querem torcer, e não devemos ser fiscais de torcida. Era só o que faltava, não estão deixando nem as pessoas torcerem em paz, parecem que são funcionários do Trump. Enfim, jogo rolando, e eu achava que a Espanha iria ganhar, os argentinos só ganhariam por um milagre, ou melhor, por um jogo fora de série de um homem de trinta e nove anos. Messi tem minha idade, e em comum, apenas idade mesmo. Mas o que faz um jogo ser especial meus amigos? Os craques, os diferentes. Na nossa vida é assim também. Nós gostamos daqueles que achamos que são especiais. Tem churrasco que só fica bom quando aquele amigo engraçado chega, tem reunião que só é legal se uma pessoa que você gosta está participando. Faz parte da vida, o que é especial marca e é lembrado. Não o melhor, mas o que você considera que é especial.

Sabe com quem eu vi essa partida? Com minha filha de dois anos, a pessoa especial da minha vida. Claro que ela não parou para ver o jogo, lógico que ela nem sabe o que é Copa do mundo e nem liga para isso. Minha filha e seu giz colorido não quer guerra com ninguém. Apenas quando o pai quer ver só o jogo esquece de brincar com ela. Entre um olho no peixe e outro na gata, eu só vi a Espanha jogar. Como a Argentina chega na final e não dá um chute ao gol? Claro que eles não pensaram isso. Imagina só a reunião no vestiário, onde o Scaloni fala, "Olha galera, proibido chutar no gol". Eles não chutaram porque a Espanha não deixou. E falando do Scaloni, que baita cara, queria ser amigo dele, mesmo sendo argentino. Parece ser boa praça, sabe das coisas e vê a vida e o jogo de forma humana, algo que eu admiro muito. Não sou fã de resultados e metas, tão pouco aquela baboseira de melhor versão. Para mim a vida é vivida enquanto se caminha, e foi isso que me chamou a atenção e me fez escrever sobre a Argentina. Os hermanos tinham a melhor história ser contada. E não é que esses caras ainda conseguiram levar o jogo para a prorrogação? Rendidos, cansados, com um a menos e Messi em uma partida muito fraca, acabaram vendo Ferran Torres marcar o gol do triunfo, do título espanhol. Na boa, o futebol venceu, seria feio a Argentina ser campeã, o que aconteceria apenas nas penalidades. A final foi boa? Não, longe disso, pois os especiais foram modestos. Não teve Messi, não teve Yamal. Teve Ferran Torres e o gol solitário. Mas ao lado da minha filha, vivi um momento especial, ainda que ela mal saiba disso. Valeu Copa, valeu filha. Ah, e obrigado Espanha!

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