Um dos livros mais importantes e famosos da ficção cientifica foi escrito por Isaac Asimov, onde ele buscava mostrar como seria a vida com os robôs convivendo junto com os seres humanos. Isso acabava por trazer conflitos tantos éticos como também culturais, e é exatamente nessas questões que o escritor buscou discorrer em sua série de contas publicado em "Eu, Robô". O título chegou a ser inclusive adaptado em filme com Will Smith, mas não em relação a trama, mas ao contexto e ideia de Asimov. O principal tema do livro é falar sobre as três leis robóticas e como elas refletiam na relação entre homens e robôs.
Não sendo um romance tradicional, em "Eu, Robô" temos uma coletânea de contos que são interligados através de entrevistas com Susan Calvin, que é uma robopsicóloga da U.S. Robots, e ela vai nos contando como lida com com a evolução das máquinas e como elas entraram na vida humana. Logo de inicio ela nos relata um caso sobre Robbe, que é um robô babá que cuida de uma menina, e os dois acabam criando um forte laço afetivo, levando a mãe a se preocupar, querendo que eles fossem afastados. Isso gera dor na criança até que anos mais tarde Robbie salva a menina do perigo. Assim, Susan relata que os robôs podem sim serem confiáveis. Isaac busca aqui tratar sobre preconceito e o medo do desconhecido, sendo um conto muito emotivo. Em seguida temos uma trama mostrando dois engenheiros presos em Mercúrio, com um robô apresentando problemas, levando ele a ter crenças próprias, rejeitando a autoridade humana, mas entrando sempre em conflito com as leis robóticas de proteção humana. Susan também conta a história de um robô que sofria ao poder ler mentes, e Asimov buscar tratar sobre verdade, empatia e ética.
É incrível como Asimov consegue trabalhar em diversas linhas de pensamentos, usando o tema dos robôs para também tratar sobre comportamento humano. Um dos contos mais enigmáticos e misteriosos é um que nos conta sobre um robô que acaba ficando com a primeira lei enfraquecida, então se infiltra entre robôs idênticos a ele. É nesse contexto que Susan aplica seus conhecimentos na área em que atua para identificar qual deles representa um perigo real aos humanos. Outra trama muito boa é quando o politico Byerley é acusado de ser um robô. Não existem provas, apesar das observações indicarem que ele seja um, criando assim um tom de mistério. Por fim, temos o conto em que supercomputadores controlam a economia mundial para evitar crises, então Susan investiga e descobre que as máquinas estão seguindo a lei de proteger a humanidade de forma exagerada, passando assim a controlar indivíduos. Isso nos fala sobre controle social, livre arbítrio e utilitarismo. Isaac Asimov fala do quanto as máquinas podem ser boas para a humanidade, mas elas também podem ser perigosas por isso que sem condenar, o autor busca nos mostrar que apesar do avanço da tecnologia, tudo precisa vir a ser feito com equilíbrio.

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