Ah, as loucuras da juventude. Uma época em que tomamos decisões por emoções, agimos muitas vezes sem pensar, e a maioria das coisas que dizemos nem acabam acontecendo, É um tempo de hormônios a flor da pele, os primeiros sentimento amorosos, o primeiro emprego. Sim, eu já passei por isso, e na década de dois mil me preparei para uma aventura muito legal, mas que nunca aconteceu. Hoje, passado já muitos anos, acho que seria uma loucura e ainda bem que não deu certo. A minha ideia? Pegar o famoso ônibus Expresso brasileiro, sim, aquele verde e amarelo, para ir para o Rio de Janeiro. Em um tempo que a internet não é como hoje, lá em 2008, fui inventar de querer conhecer a cidade carioca em pleno mês de janeiro.
Eu trabalhei na General Motors, por menos de um ano é verdade, mas trabalhei, já que uma crise mundial me levou a ficar em casa apenas recebendo por alguns meses. Um jovem com dinheiro e tempo na década de dois mil não poderia querer algo melhor. Ainda mais que naquele ano eu tinha um carro Corsa preto, do qual gostava muito e não me dava problemas. Como sempre quis conhecer o Rio de Janeiro, decidi que iria para lá de Expresso brasileiro. Comecei assim a pesquisar lugares para ficar, e sem nenhuma noção ou planejamento, reservei que ficaria no bairro do Botafogo, em um albergue com várias camas. Não olhei alimentação, não olhei nada, tinha apenas um sonho e uma vontade. Sendo assim, deixei minha vaga reservada Era um site com visual marrom e antigo, nada atrativo. Até hoje não sei o que era aquilo, se um albergue ou um lugar que iria me sequestrar. Bom, prefiro não saber. O meu único medo ali era o da violência carioca, sempre tão falada, mas ainda menor do que os dias de hoje. Bem, só faltava agora comprar a passagem do busão e partir.
Minha mãe apenas ouviu que eu iria para Rio de Janeiro e nada falou, não sei se ela achava que era só empolgação ou confiava demais em mim. Coitada, meus irmãos eram pequenos e ela tinha muitas responsabilidades com eles, eu já era mais velho. Apesar de tudo estar certo, dentro de mim havia um certo medo sobre a viagem. Iria sozinho para um lugar desconhecido, apenas confiando que a reserva estava feita. Eu havia visto que seriam cerca de seis horas de viagem e da estação para o albergue era perto. Botafogo era um bairro bonito e era fácil de ir para o Cristo Redentor e o Pão de açúcar. Foi ai que algo aconteceu e mudou todos os planos. Ei acabei perdendo a minha carta de motorista, o meu único documento para poder viajar. Não acreditava que havia perdido, logo um dia antes de viajar. Procurei e procurei, nada de encontrar. Fui até mesmo na delegacia para abrir um boletim de ocorrência, mas a demora era tão grande que acabei desistindo. Quando cheguei de carro em casa, minha mãe estava também chegando com meus irmãos e uma amiga de uma viagem da praia. Apenas disse que não iria mais, com um tom de decepção. No dia seguinte achei minha CNH, estava no chão, depois de cair da cama. Vi tudo isso como um livramento de Deus, não era para ir mesmo. A aventura era legal apenas na minha mente, ainda mais no lendário Expresso brasileiro. Depois de dez anos finalmente conheci o Rio de Janeiro com minha esposa, e então percebi a loucura que estava fazendo querendo ir para lá sozinho. Coisas da juventude!

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