A banda gaúcha seguia com seu modo intenso de trabalho, e mesmo após ter lançado um álbum em 1991, já e 1992 lançava mais um disco de estúdio, mostrando que eles estavam no auge de composições, tanto de letras como de melodias. Além disso, também faziam muitos shows espalhados pelo Brasil, sendo considerados uma das melhores bandas brasileira daqueles anos. Mas muitos se enganam com o nome do disco, que pode mostrar união, mas que na verdade mostrava a individualidade de seus membros, pois cada um fazia a sua parte sozinho, o que mostrava que essa formação já estava com os seus dias contados. Esse álbum também trouxe mais psicodelia e densidade ao som da banda.
Com bastante inspiração no rock dos anos oitenta, esse disco é marcado pela música da banda estar mais progressiva, ainda que a primeira canção fosse mais pop, chamada "Ninguém=ninguém", sendo muito poética e com um refrão que gruda na mente, se tornando o grande sucesso desse trabalho. A letra fala sobre identidade e que pessoas são sim diferentes, e ele brinca com isso. Em seguida banda mostra "Até quando você ficar?", que já tem um som mais voltado ao rock clássico, com a letra de Gessinger falando sobre estagnação e como nos acostumamos com as coisas como elas são. "Pampa no walkman" é um retrato da época, já que fala de um instrumento dos anos noventa misturado com o estilo gaúcho de ser, e o vocalista usa o tema para abordar a respeito do regionalismo brasileiro. A música "Túnel de tempo" é cheia de experimentações e traz o estilo progressivo, apostando nas guitarras de Augusto Licks e com uma letra falando sobre nostalgia e a passagem do tempo. A música "Chuva de contêineres" é mais rock, enquanto que "Pose" começa com um solo de piano e bastante longa, sendo um clássico rock progressivo.
O disco não possui tantos hits, apostando mais em canções lado B, ou seja, um som que não costuma tocar em rádios. Essa é a toada na progressiva "No inverno fica tarde mais cedo", que contém um piano de fundo e diversos efeitos sonoros. "Canibal vegetariano devora planta carnívora" tem seis minutos e fala sobre contradições humanas com Humberto Gessinger usando várias metáforas. Um raro hit no álbum é a bela "Parabólica", que é bastante intimista, com uma melodia de violão muito bonita. A letra é uma homenagem de Gessinger para sua filha que havia acabado de nascer, onde fala sobre a distância e o amor paternal, já que ele viajava muito em turnês e não ficava tanto com ela em casa. Com vários solos de guitarra o Engenheiros toca "A conquista do espelho", com Humberto cantando sobre medos internos e autoconhecimento. O estilo progressivo e experimental retorna em "Problemas sempre existiram". O disco termina com a experimental "Conquista do espaço", que pode ser chata para aqueles que preferem o estilo mais pop do Engenheiros do Hawaii. Apesar do alto número de vendas, o publico estranhou as diversas canções progressivas, mas a critica elogiou o trabalho feito pelos músicos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário