Algumas bandas são a expressão de uma época, uma expressão apenas para aquele momento. É isso que podemos falar a cerca da banda formada por brasileiros, mas que apostou em cantar em inglês. Além do mais, importante citar que os músicos que faziam parte do projeto eram gabaritados por seus trabalhos em suas já famosas bandas. Rodrigo Amarante era o vocalista, já famoso pelo sucesso com o Los Hermanos, compartilhando assim os vocais com a multi-instrumentista e cantora, Binki Shapiro. Para completar o time, o baterista era nada mais nada menos que Fabrizio Moretti, membro da famosa banda The Strokes. Com um som leve e alternativo, a banda teve sua participação no rock dos anos dois mil.
A ideia do disco é fazer das sua canções uma trilha sonora para um fim de tarde, buscando uma sonoridade despretensiosa de rock sessentista, misturando ska, indie pop, rock e até mesmo bossa nova. A primeira música é a ótima "The next time around", que traz um som leve bem de praia, sendo bastante melódica, cantada em inglês, para apenas no final dela termos versos em português. A letra nos fala sobre o otimismo diante de um recomeço amoroso. "Brand new start" tem violões que parecem ser muito inspirados nos Beatles, possuindo um refrão marcante e uma mensagem falando sobre o desapego das coisas. A canção "Play the part" é bastante intimista, e trata a respeito de como muitas vezes fingimos que tudo está bem, apenas para evitarmos o conflito. O disco segue com "No one's better sake", que procura trazer um tom mais animado, mesmo que o tema abordado seja o da insegurança, ciumes e autocritica. Gosto muito de "Unattainable", cantada pela voz doce da Binki Shapiro, falando sobre o desejo de ter aquilo que não se pode ter.
O disco segue com "Shoulder to shoulder", com Rodrigo Amarante cantando naquele estilo arrastado que estamos acostumados no Los Hermanos, em uma letra que fala sobre companheirismo e apoio mútuo. "With stranger" é intimista tanto na letra como no som, pois traz Amarante cantando com um violão, falando sobre a solidão e o isolamento das grandes cidades. Em "Keep me in mind" o destaque fica por conta da bateria do Fabrizio Moretti e a voz rasgada do Amarante, cantando a respeito do medo do esquecimento após o término de um namoro, sendo uma das melhores desse disco. Em "How to hang a warhol" temos uma critica ao materialismo, contando com riffs de guitarra bons e acelerados. O estilo clássico do folk americano surge a voz de Shapiro em "Don't watch me dancing", com uma letra sobre a vulnerabilidade de sofrer em público. O álbum se encerra com "Evaporar", dessa vez, cantada em português pelo Amarante de forma bem intimista, ao falar que tudo nessa vida é passageiro. A banda foi um cult sonoro aqueles anos, mas que passou e não lançou mais nada, sendo como disse no começo, apenas um reflexo daquele tempo.

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