Lançado no ano de 1997, esse álbum é uma produção póstuma, ganhando a luz um ano após a morte do vocalista Renato Russo, que havia deixado muito material gravado, que acabou vindo a se tornar o último disco do Legião Urbana. Não pense que é uma produção de nível alto, tendo músicas que provavelmente não teriam se transformado em um álbum, mas que era o canto final de um dos melhores vocalistas que já passou pelo rock nacional. As canções desse disco fariam parte do álbum "Tempestade", que tinha a intenção de ser duplo, mas isso não acabou ocorrendo. Temos assim quinze músicas, sendo que algumas delas faziam parte do catálogo do Renato antes mesmo do Legião Urbana começar.
O primeiro som do álbum não é uma música, mas uma gravação antiga, em um ensaio de 1983, onde cada membro se apresenta e fala dos seus gostos pessoais. O registro acabou sendo chamado de "Riding song". A produção desse disco é muito melancólica, com letras mais fortes e um tom mais sombrio, começando com "Uma outra estação", com Renato Russo já cantando com uma voz mais sussurrada, falando sobre estar longe, em uma outra estação. Em seguida temos "As flores do mal", que segue com Renato cantando de uma forma intimista, com o título inspirado na obra de um poeta francês, que acaba lidando com medos e com crises existenciais. "La Maison dieu" tem ótimos riffs de guitarra produzidos pelo guitarrista Dado Villa-Lobos, e a letra acaba expondo as feridas abertas por conta da Ditadura militar no Brasil. A música "Clarice" é apenas voz e violão, tendo sido escrita por Renato nos anos oitenta, com uma letra forte que trata sobre dependência química, depressão e a auto destruição de uma jovem presa nas drogas. O tom mais rock surge com "A tempestade", com o vocalista cantando sobre enfrentar os momentos mais difíceis da vida.
A primeira música mais animada nessa produção é a música "Comédia romântica", que acaba também trazendo guitarras distorcidas, e uma letra sobre clichês amorosos e desilusões amorosas. Renato Russo por muito tempo era considerado o Trovador solitário, com suas músicas de apenas violão e voz, no maior estilo folk. Com isso, temos aqui canções dessa época, começando com "Dado viciado", em que é relatado o vicio do jovem Dado nas drogas e como isso acabou destruindo a sua vida. No mesmo estilo de som acaba vindo com "Marcianos invadem a Terra", que é muito boa, com uma letra que faz a metáfora entre marcianos e pessoas que se sentem deslocadas no mundo. A minha canção favorita desse álbum e uma das que mais gosto do Legião Urbana se chama "Antes das seis", que é muito linda e poética, se perguntando que foi que inventou o amor. Com uma letra em inglês temos "Mariane", falando sobre a amizade e como o tempo afasta as pessoas. Além de algumas canções instrumentais, temos por fim a experimental "Travessia do Eixão". O disco fez sucesso, com fãs saudocistas, mas não vejo como um dos melhores por aproveitas de músicas inacabadas e projetos antigos, não sendo uma das produções mais aclamadas pelo público.

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