Certa vez assisti um filme que gosto muito, chamado "Conta comigo", e uma frase nunca saiu da minha cabeça, em que o protagonista encerra a trama dizendo que nunca mais teve amigos como tinha aos treze anos, mas ai ele pergunta, mas quem os tem? Tocando nesse assunto, me recordo de um amigo que tinha quando a minha idade era de apenas uma criança de onze anos. Imagine só, o ano era 1998, um mundo sem internet, com as coisas sendo mais orgânicas e acontecendo de forma natural. Naquele tempo, as crianças brincava, a rua, pegavam ônibus, saiam de casa e voltavam tarde, e os pais confiavam que tudo iria ficar bem. Não consigo imaginar minha filha tendo a infância que vivi, com tanta liberdade. Foi em 1998 que conheci o meu primeiro melhor amigo, o nome dele era José Hertom.
Meu amigo José Hertom
domingo, 29 de março de 2026
O que faz uma pessoa ser um melhor amigo? É quando gostamos de conversar com o amigo, temos coisas em comum e temos os mesmos gostos pessoais. O José Hertom era de origem nordestina, de família simples, humilde e animada. E o Hertom, poxa, era gente boa demais. Nós gostávamos de futebol, mas hoje já não lembro mais o time que ele torcia. Me perdoe, já faz mais de vinte anos. O que me lembro é que ele gostava de animes, assim como eu. Nós gostávamos de Yu Yu Hakusho e vivemos o boom de animes que veio sobre o Brasil naqueles anos. As informações que tínhamos na época eram através de revistas, e assim, sabíamos pouco, mas compartilhávamos muito. Morando em São Bernado a pouco tempo, eu não conhecia muito bem o bairro, e ele morava em um lugar que ainda estava se desenvolvendo, do lado do bairro em que eu morava. Teve um dia depois da aula que ele me chamou para ir na casa dele. Simplesmente falou que eu tinha que ira, virar ali, virar de novo, ir pela esquerda e depois chegava. De verdade, eu memorizei tudo, e fui direitinho, mas com um frio na barriga. Era a minha aventura, ir na casa do José Hertom passando por ruas ainda de barro e casas simples. Esses dias passei por lá, e não reconheci, o lugar era outro, modernizou tudo.
Foi com meu amigo que também aprendi a jogar The King of Fighter nos fliperamas do bairro dele. Era era bom, eu era péssimo, não sabendo disparar nenhum poder. Nós também tínhamos a música em comum, nós gostávamos muito de Claudinho e Buchecha e bandas internacionais, das quais nem sei o nome. Ele tinha um rádio enorme, e gravava os Cds dele em fitas K7 para mim ouvir em casa. É meus amigos, não havia Spotfy, era tudo na raça mesmo. Um dos momentos mais legais foi quando o visitei no fim de semana e os pais dele me convidaram para ir com a família em uma prainha no riacho. Minha mãe deixou, e até hoje não entendo como uma mãe deixa o filho criança sair com uma família que ela nunca viu. Isso é tão anos noventa. Até hoje me recordo daquele rio sem ondas, raso e muito diverto, sendo um dos momentos mais legais da minha infância. Infelizmente a minha amizade com o José Hertom não terminou legal. Um dia, jogando futebol na quadra da escola, acabamos nos desentendendo. Não sei o motivo, mas me lembro dele me jogando no chão e é isso, fim. No resto do anos não nos falávamos mais, nem olhávamos um para o outro. O ano acabou e no ano seguinte o Hertom não estava mais lá. Não sei o que houve, se ele se mudou, se foi estudar de manhã(acho que foi isso). Nunca maias nos vimos. Me mudei de cidade, a vida andou e separou a minha primeira amizade. Com a internet cheguei a procurar, mas nunca nem cheguei perto, pois não sei o sobrenome dele. Não sei se o José Hertom está vivo, não sei que fim levou, mas ainda me lembro do meu primeiro melhor amigo.
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