Gabriel estava cansado da mesmice da vida, onde estão aqueles amigos que diziam que seriam para sempre? Sua mãe já estava preocupado, porque o jovem de apenas dezessete anos não saia de casa, vivia apenas no quarto com suas canções e cadernos. Não era depressivo, longe disso, até gostava e conversar e jogar bola. Mas por dentro, um vazio consumia aquele jovem.
- Senhor, eu sei que existe - Gabriel aprendeu desde pequeno sobre o poder da oração com sua avó - mas eu não sei onde está. Eu apenas quero que o Senhor me coloque no verdadeiro lugar.
Não, essa não era uma oração do jovem, era uma oração de um adolescente de treze anos, confuso e com problemas familiares, mas que gostaria de se encontrar. Na fria cidade de São Bernardo, onde ele morava, havia feito essa oração. Um desejo profundo de alguém que procura preencher o vazio da alma.
Havia um amigo do Gabriel, se chamava Claudio, eles jogavam futebol juntos, mas já fazia alguns meses que o amigo estava diferente. Ao invés de jogar bola, Claudio ficava de canto ouvindo músicas gospel.
- Mano, sai dai, vamos jogar bola - dizia Gabriel
- Depois eu vou.
E o dia passava, e o Claudio ficava ali ouvindo música cristã
Gabriel não tinha raiva, tinha curiosidade. E percebendo isso, Claudio logo fez o convite
- Vamos na célula Gabriel? Você vai gostar, tem bastante jovem.
- Não sei, não sei. Vocês vão ficar no meu pé, me enchendo de perguntas, me obrigando a ficar falando sobre mim e no final eu já sei. Vou ter que ir no culto domingo.
As semanas fora passando e Gabriel sempre escapava. Em uma semana dizia que iria visitar o pai, na outra falava que tinha que assistir o jogo do seu time de coração. Mas dentro dele algo o puxava, algo que parecia ser maior que ele. Algumas semanas se passaram e um dia os dois amigos se reencontraram na rua
- Claudio, aquele negócio de célula ainda existe? Quero ir. Mas não vou falar nada e nem vou ao culto domingo
Gabriel não sabia o motivo, mas o desejo de ir na célula surgiu dentro dele, e ele apenas foi impulsionado a ir. Claudio era o instrumento, era a pessoa que o levaria para uma aventura que iria mudar de vida.
Dois depois, Gabriel estava na célula. Fez sua oração, cantou louvores, ouviu a palavra. Compartilhou suas ideia naquela reunião, e ele falou consigo mesmo, "Aqui é o meu lugar". Era um pensamento que não vinha dele, vinha de Deus.
Na hora de ir embora, Gabriel foi conversando com Claudio sobre tudo o que havia vivido naquela noite.
- E ai gostou meu amigo? - perguntou Claudio
- Sim, foi muito bom, não esperava que seria tão leve.
- Cara, você começou a falar, eu me surpreendi, não esperava que ficasse tão a vontade.
- Pois é, nem eu. Acho que me encontrei. Não sei como vai ser daqui para frente, mas estou me sentindo bem melhor do que nas últimas semanas
- Deus é bom - afirmou Claudio
- Sim, muito bom!
Tudo isso aconteceu em uma noute de quinta-feira, a noite que mudou a vida daquele jovem. No domingo, diferente de tantos outros, estava em um lugar diferente. Estava feliz.
- Seja bem vindo ao culto - o pastor o recebeu na porta.
Sim, era domingo, e Gabriel estava participando do culto pela primeira vez.
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