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Brother's fight

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Eram apenas duas crianças, viviam a vida de cidade grande, enquanto os pais trabalhavam o dia inteiro só restavam a eles a televisão para assistir o dia inteiro. Raul e Marcos tinham dois anos de diferença um para o outro. Raul por ser o mais velho queria impor suas exigências e desejos, mas aos poucos Marcos começava a enfrentá-lo.

- Eu quero assistir futebol – dizia Raul

- Não, eu quero ver desenho – respondia Marcos

Pronto, era briga para o dia inteiro. A empregada ficava maluca com os dois, pois um avançava no outro, puxavam cabelo, davam socos e se empurravam. Mas era sempre assim, brigavam em um dia e já estavam conversando no dia seguinte. “é coisa de criança” dizia a avó. Mal sabia ela o que estava dizendo.


Na adolescência Raul e Marcos gostavam da mesma garota. Bianca era encantadora, gostava de conversar com os dois, mas acabou escolhendo Marcos, para desespero e raiva de Raul. Ficaram desta vez semanas sem se falarem.

- Você sabia que eu gostava dela Marcos.

- O que eu posso fazer? Ela gostou de mim.

- Você é um traidor, não da para confiar em você.

Quando estavam perto dos trinta anos resolveram abrir uma empresa juntos. Raul estava mais calmo e aliviado por Marcos não ter dado certo com Bianca. Agora estavam os dois casados e precisavam demonstrar maturidade. Resolveram trabalhar com criação de sites, onde Raul entrava com o talento e Marcos com o dinheiro. Até o dia em que a empresa quebrou!

- A culpa é sua – disse Marcos – não entregava o trabalho em dia para o cliente

- Você não sabe de nada, e nem fazer nada e quer me criticar? Cala a boca

Depois de não darem certo trabalhando juntos cada um seguiu a sua vida. Os dois tiveram filhos, construíram boas famílias. Encontravam-se às vezes, mas a rivalidade estava sempre presente. Desde a competição entre os filhos até para ver quem usaria óculos primeiro, quem teria as primeiras rugas e quem se aposentaria primeiro.

Quando alcançaram a idade de setenta anos, passavam os sábados jogando xadrez juntos. A rivalidade ainda era grande. Os dois marcavam no papel quem ganhava mais, estudavam novas estratégias e tiravam sarro um da cara do outro. As coisas eram mais fáceis, pois já tinham construído uma ótima família e tudo agora se resumia a brigas entre reis, peões e bispos em cima de um tabuleiro.

- Xeque – falou Marcos

- Não tão rápido irmãozinho. Vamos continuar.

- Você não se rende nunca em cara.

- Pois é, sempre precisei ensinar para meu irmãozinho que desistir é a ultima saída.

- Que bom que aprendi. Xeque de novo!

- Escapei! Que bom que agora mais velhos brigamos menos do que antes.

- É sim. Mas as vezes a briga nos mantinha vivos e acendia em nós uma vontade de crescer e buscar ser melhor.

- Pois é Marcos, valeu a pena tudo isso. Talvez esse seja o significado de ser irmão.

- Não entendi.

- Brigar e voltar a se falar. Torcer sempre e terminar a vida juntos, apesar de tudo.

- Concordo com você. Brigamos, brigamos e sempre estivemos juntos.

- Isso ai irmãozinho. Xeque-mate!


Morreu e não sabia

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Eu precisava contar para ela. Eu sei, não é uma noticia fácil, mas se eu não falar tenho certeza que vão enganar a coitada. Olha la, todos passam reto. Fingem que tudo esta normal, mas não esta! Bem, chegou a hora da verdade.


- Dona Rosa – falei, muito envergonhado

-Oi Mateus, alguma novidade?

- Algumas. Percebeu como o dia esta frio hoje?

- Realmente, tenho até me sentido gelada.

- Pois é. Recebeu muitas flores hoje?

-Sim. Inclusive achei estranho, pois não é meu aniversário.

-Visitas?

- Muitas Mateus. Um pouco estranho tudo isso. O pessoal aqui de casa até chorou.

- Acho que a senhora deve ir embora.

- Não sei por que mas sinto isso também

- Pois é, chega um momento que é hora de partir. Sabe? Tipo... ir embora, subir a escada, pegar o elevador

- Concordo meu jovem. Eu até lhe convidaria para esta viagem, mas só cabe uma pessoa no elevador.

Um silêncio entre nós...esta estranho, a conversa é estranha, mas como eu disse: alguém tinha que falar.

- Dona Rosa?

- Sim Mateus

- Boa viagem!


FIM DA ESTRADA

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Paulo estava refletindo sobre os terríveis acontecimentos dos últimos dias. Era quarta feira e ele não estava acreditando nas más noticias que tinha recebido. Poxa vida, duas mortes assim tão de repente, tão inesperada. Não aguentando mais pensar no assunto resolveu ir até a praia. O dia tinha amanhecido prometendo calor, mas como noticias inesperadas, o tempo acabou virando e sinais de uma futura chuva começavam a aparecer no céu. O dia terminaria cinzento, pensou Paulo.

Ali na praia sentado na areia e olhando para o mar pensava nas coisas da vida, em como tudo era passageiro, em como de uma hora para outra tudo poderia mudar. Sem perceber acabou sentindo um toque no ombro e quando olhou do lado viu que seu amigo Pedro estava ali se sentando.

- Dias estranhos né Paulo?

- Nem me fale. Eu estava aqui pensando em como as coisas acontecem de repente.

- É, basta um segundo para mudar tudo.

- Não consigo aceitar cara. Como que em um momento estamos saudáveis e pensando na vida com diversos planos...e então, ploft! Tudo acaba.

- Ah Paulo, também não entendo, mas estamos aqui para viver e da melhor forma possível.

- Meio auto ajuda você né Paulo. Esses livro do Augusto Cury estão revirando a sua mente.


O céu começava a ficar nublado.  Paulo pegou um pouco de areia nas mãos e a viu escorrer pelos dedos. Talvez assim fosse também a nossa vida, pensava ele.  Rapidamente ela escorregava pela mão do tempo e partíamos dessa para a melhor. Paulo recomeçou a conversa.

- Cara, olha que coisa maluca. Dias atrás o cara que mais fazia as pessoas sorrirem se matou. Hoje um cara cheio de planos sofre um acidente. Injusto não acha?

- Por que injusto? Não temos o controle de tudo cara, não podemos ser juízes e definir o que é justo ou injusto. A vida é uma viagem cara, e tenho certeza de que não somos o piloto dela.

- Ah, estou indignado. E Deus cara? Onde Deus esta no meio disso tudo Pedro?

- Deus não tem culpa que o cara se matou. Aliás nem sei se o próprio cara tinha culpa.

- Você acha que ele foi covarde ao se matar? La vai você julgar o cara.

- Não brother. Só acho que a vida bateu forte nele e ele não soube se defender

- E sobre o acidente de hoje? Deus poderia ter segurado o avião.

- A vida é como um livro Paulo. Ela tem começo, meio e fim. E nós temos que viver cada momento com muita energia e alegria. O tempo passa, vamos viver o hoje.

Os dois então se levantaram da areia. Realmente não era um bom dia. Começava a pingar, carros de policia e bombeiros passavam a todo momento pelas ruas de Santos. Paulo ainda estava com diversos pensamentos sobre os últimos acontecimentos. Procurava respostas quando não era momento de recebê-las.

- Pedro, e quanto a nós? Tipo eu e você? O que nos garante um amanhã?

Pedro ficou quieto por alguns instantes, procurando uma resposta e então...

- Deus!

- Você escapou bem, mas não me convenceu muito.

- Não é pra te convencer, é só para você acreditar. Lembra? Começo, meio e fim.

- E?

- Ele é o escritor, quando Ele entender que é hora do fim da historia, então é o fim.

- E até la?

- Até la a gente vive e aprende com as historias dos outros.




O PORTÃO

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Fazia muito tempo, eu pensei em muitas coisas andando por estas ruas e me lembrei de muitas coisas que vivi aqui. Quando volto a minha realidade percebo que estou agora parado no portão. Ao olhar para baixo vejo o meu cachorro sorrindo para mim, em forma de latidos, claro. Então coloquei as minhas malas no chão. Sim, eu voltei!

Comecei a olhar para tudo ao redor, as casas, as pessoas, o portão. Tudo estava ali, como era antes. Parecia que nada tinha se modificado, mas ao olhar para mim tinha duvidas, acho que na verdade apenas eu é que tinha mudado, e então voltei. Mas desta vez eu voltei para ficar, sim, para ficar. Voltei para as velhas coisas que eu deixei.


As expectativas eram muitas, por isso resolvi abrir a porta devagar, mas antes deixei a luz entrar primeiro. Eu precisava sentir aquilo novamente, aquele velho cheiro, aquele velho ar que sempre passou por ali. Percebi que todo o meu passado se iluminava, por isso eu fui, eu entrei. Sim, estou de volta, e desta vez para ficar, porque sei que aqui é o meu lugar. Voltei para tudo o que tinha deixado. Para os meus amigos, para a minha família, para as minhas lembranças, é, eu voltei.


Sim,tudo aconteceu quando eu parei em frente ao portão!

UMA NOVA SOLICITAÇÃO

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Já era tarde, o relógio já marcava 23:00 horas de uma noite fria em São Paulo. Correndo pelas escadas da estação vinha Marcos com sua mochila na costas, boné na cabeça e com o pensamentos cheios de planos para essa semana. O trem logo iria chegar, por isso precisava se posicionar da melhor maneira na plataforma para conseguir fazer a sua viagem sentado.

Ao olhar para o lado da plataforma viu um rosto conhecido. Era Caio, seu colega dos tempos de escola. Sujeito diferente era aquele. Com calças de cantor de rap e cabelos bagunçados. Caio era um cara que vivia fora de sua realidade, ou talvez as pessoas que vivessem fora da dele, como sempre costumava dizer.

Marcos buscou se aproximar do colega e então chegou perto. Caio logo reconheceu quem era e os dois se cumprimentaram, fazia alguns anos que não se viam.

- E ai cara como você esta? – perguntou Marcos

- Eu to bem cara. To vindo do role.

- Em plena segunda feira? Só você mesmo.

- E tem dia certo para sair?

- É verdade, tinha me esquecido desse detalhe. Todo o dia é dia de curtir – e ria das maluquices do amigo

- E você Marcos? Esta vindo da onde com essa mochila nas costas?

- Da casa da minha namorada, ela mora no interior de São Paulo. Passei uma semana la.

- Que viagem em.

Marcos olhou para o relógio e em seguida para os trilhos. Já era possível observar o trem se aproximando. Teriam alguns minutos de conversa dentro do trem. O silêncio fica por instantes entre ele, até o momento em que entram no trem e as portas se fecham. A conversa tem o seu reinicio.


- E o pessoal da escola? Tem visto? – perguntou Caio

- Nunca mais cara. Tenho alguns deles no Face, mas nem tem mais assunto.

- Já era né? O tempo vai passando e vamos deixando amigos pelo caminho.

- Fica só o face.

- Pois é, só o face.

O trem para na próxima estação e Marcos já se prepara para descer. Que pena, a conversa durou pouco. Os dois se cumprimentam e para matar o silêncio acabam falando de marcarem alguma coisa juntos qualquer dia.

- Até mais cara – diz Marcos

- Falou mano, a gente se vê. Ah, e me adiciona la no face, é Caio Pires.


- Demorou, pode deixar.

LEMBRANÇAS

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Uma maneira de voltar no tempo é olhar os álbuns de fotos. Ali vemos os momentos mais felizes da nossa vida. Momentos de saudade, momentos de reflexão. Uma verdadeira maquina do tempo. Eram os pensamentos da Marta, uma mulher com seus cinqüenta anos, com muitas coisas para se lembrar.

- Filha, vamos ver algumas fotos?

A filha já sabia que era um momento importante para a sua mãe, sabia que era um momento de viajar no tempo, e desta vez ela queria uma acompanhante nesta viagem. A filha resolveu embarcar nesta maquina do tempo.

- Olha aqui filha, fotos do dia em que você nasceu.

- Nossa mãe, como eu era feia. Não posso deixar meu namorado ver essas fotos.

Alguns risos. Para Marta, a sua filha nasceu linda, era linda e sempre seria linda. Lembrava ela de dias difíceis, dias de duvida. Não sabia como cuidar de uma criança. Era mãe solteira. A vida não era fácil. Ainda mais naqueles dias.

- Essas aqui são daquela viagem que fizemos.

- Que lugar é esse mesmo mãe?

- Campinas

Bons dias esses no interior paulista. Tinha pego férias do trabalho e queria levar a filha para passear. Resolveu ir para Campinas. Era mais barato.

- Bons dias esses em mãe.

- Foram sim.



Mais fotos iam aparecendo a cada pagina virada do velho álbum da família. Ali tinha fotos dos aniversários da filha, fotos de festas na escola, ceias de natal, comemorações de ano novo. Muitas fotos, muitas experiências. Dias divertidos, boas lembranças, dias que não voltam mais.

- Quantas fotos em mãe. Que viagem.

- Boas viagens filha, boas viagens.

- Espero que quando eu ficar velhinha eu possa também ter um álbum de viagens como esse da senhora.

- Vai ter sim filha. Mas eu torço para que você também tenha um ótimo companheiro de viagem, como eu tive nessa tarde.


QUEM FOI O MELHOR?

quinta-feira, 3 de julho de 2014

- Pai, o senhor viu o Pelé jogar?

- Sim, eu vi.

- E ele era bom mesmo?

- Filho, o Pelé era um jogador completo. Chutava com as duas pernas, cabeceava, driblava. Como eu disse, ele era completo, nunca vai ter outro como ele.

- Hum, entendi, mas o Garrincha não era melhor? O vovô dizia que o Garrincha era melhor.

- Não acho que seu avô tenha dito isso.

- Disse sim. Pai, nos vídeos do Pelé ele não faz tudo isso que você fala. Eu assisti ao vídeo da final da copa de 58 e sei la, não me parecia tudo isso não.

- Ali ele só tinha 17 anos – o pai já mudava a expressão, começando a ficar nervoso.

- Pode ser, em 70 ele já era o cara né? Mas também, com aquele timaço que ele tinha do seu lado fica fácil. O Cristiano Ronaldo joga em Portugal sozinho, por isso que não ganha uma Copa do mundo.

- Pelé era o cara meu filho. Quando o Santos estava perdendo, ele já avisava a torcida que ele ia virar o jogo.

- E virava?

- Sim – suspira o pai – ele mesmo fazia os gols.

- bom, eu não vi ele, mas para mim o Ronaldinho foi o melhor que eu vi.

- Você esta maluco –e o pai dava risadas – o Ronaldinho e outros só jogaram bem por um período de tempo, depois sumiram. E repito, o Pelé era um jogador completo.

- E o Maradona?

- Se o Maradona fosse bom com a perna direita seria sim um jogador completo, mas não era, então também não podia ser melhor do que o Pelé.

- Mas também naquele tempo, queria ver se fosse nos dias de hoje.

- Ele seria ainda melhor. Filho o Pelé era completo. Completo!

- Talvez. Mas e o Messi em, esse cara joga muito em pai, esta entre os três melhores que eu já vi. Eita cara decisivo!


- Pelé parou uma guerra. Isso basta!
 

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