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Montevidéu

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Apesar de ser um um livro que flui muito bem, não é nada fácil ler a trama descrita por Enrique Vila-Matas. Não porque o livro é chato ou algo assim, mas é porque ele não segue uma leitira fluida, tipo um começo, meio e fim. O autor mistura a ficção com a realidade, faz diversas menções a literatura, citando grandes nomes como do escritor Julio Cortázar, sendo esse o grande motor de toda trama, ao falar sobre a perca do dom de escrever, e de como o personagem principal busca recuperar a sua inspiração, andando por diversas cidades do mundo. Seguindo de uma meta linguagem, vemos a busca pelo dom de escrever,enquanto o personagem também tenta se recuperar após a morte do pai.


O protagonista do livro não tem nome, o que nos faz pensar que ele seja o próprio Vila-Mata, buscando resolver suas questões com a literatura e a escrita criativa. O personagem principal está em meio a uma crise, já que após a perca do pai e o abandono da literatura, acaba por ficar obcecado por portas como passagens entre diferentes realidades. Isso tudo ganha ainda mais força quando temos a presença fantasma de Cortázar, já que seus livros são bastante citados, parecendo ser uma grande inspiração de Vila-Matas. O conto do escritor argentino,chamado "A porta condenada", fala sobre um homem hospedado em um hotel em Montevidéu, quando ele encontra uma porta que separa a realidade e um mundo fantástico. Quando o protagonistas chega na cidade uruguaia, temos essa questão e comparação seno bastante abordada. pois o protagonista busca se hospedar nesse mesmo hotel, e isso o leva a pensar se de fato existe a tal passagem mágica, e quem sabe passando por ela, seria como se recuperasse o seu bloqueio criativo.

Cada capitulo é muito bem estruturado, e trata da jornada do protagonista em alguma cidade do mundo começando por Paris, quando ainda jovem o protagonista se muda para a França na busca de ser um escritor. Já em Cascais, em Portugal, o narrador começa a notar uma obsessão por portas e passagens, começando a achar que existe um mundo magico, trazendo a trama para a boa narrativa do realismo fantástico, bem comum da literatura sul-americana. Montevidéu é o coração do livro, onde a trama desenrola, pois quando o protagonista vai para um congresso, busca se hospedar no já citado hotel Cervantes, o local do conto escrito por Cortázar, que narra sobre a porta que divide mundos. O mistério fica no ar, pois a tal porta está bloqueada por um armário. Será que Cortázar escrever uma história real? É em Bogotá, na Colômbia, que o protagonista percebe a beleza da literatura e que parar de escrever havia sido um erro e que ele tem sim uma história real para contar, recuperando assim seu amor pela escrita, vencendo o seu bloqueio criativo. "Montevidéu" é uma jornada de um escritor em busca de recuperar aquilo que ama, o amor pela escrita.

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