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FIM DA ESTRADA

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Paulo estava refletindo sobre os terríveis acontecimentos dos últimos dias. Era quarta feira e ele não estava acreditando nas más noticias que tinha recebido. Poxa vida, duas mortes assim tão de repente, tão inesperada. Não aguentando mais pensar no assunto resolveu ir até a praia. O dia tinha amanhecido prometendo calor, mas como noticias inesperadas, o tempo acabou virando e sinais de uma futura chuva começavam a aparecer no céu. O dia terminaria cinzento, pensou Paulo.

Ali na praia sentado na areia e olhando para o mar pensava nas coisas da vida, em como tudo era passageiro, em como de uma hora para outra tudo poderia mudar. Sem perceber acabou sentindo um toque no ombro e quando olhou do lado viu que seu amigo Pedro estava ali se sentando.

- Dias estranhos né Paulo?

- Nem me fale. Eu estava aqui pensando em como as coisas acontecem de repente.

- É, basta um segundo para mudar tudo.

- Não consigo aceitar cara. Como que em um momento estamos saudáveis e pensando na vida com diversos planos...e então, ploft! Tudo acaba.

- Ah Paulo, também não entendo, mas estamos aqui para viver e da melhor forma possível.

- Meio auto ajuda você né Paulo. Esses livro do Augusto Cury estão revirando a sua mente.


O céu começava a ficar nublado.  Paulo pegou um pouco de areia nas mãos e a viu escorrer pelos dedos. Talvez assim fosse também a nossa vida, pensava ele.  Rapidamente ela escorregava pela mão do tempo e partíamos dessa para a melhor. Paulo recomeçou a conversa.

- Cara, olha que coisa maluca. Dias atrás o cara que mais fazia as pessoas sorrirem se matou. Hoje um cara cheio de planos sofre um acidente. Injusto não acha?

- Por que injusto? Não temos o controle de tudo cara, não podemos ser juízes e definir o que é justo ou injusto. A vida é uma viagem cara, e tenho certeza de que não somos o piloto dela.

- Ah, estou indignado. E Deus cara? Onde Deus esta no meio disso tudo Pedro?

- Deus não tem culpa que o cara se matou. Aliás nem sei se o próprio cara tinha culpa.

- Você acha que ele foi covarde ao se matar? La vai você julgar o cara.

- Não brother. Só acho que a vida bateu forte nele e ele não soube se defender

- E sobre o acidente de hoje? Deus poderia ter segurado o avião.

- A vida é como um livro Paulo. Ela tem começo, meio e fim. E nós temos que viver cada momento com muita energia e alegria. O tempo passa, vamos viver o hoje.

Os dois então se levantaram da areia. Realmente não era um bom dia. Começava a pingar, carros de policia e bombeiros passavam a todo momento pelas ruas de Santos. Paulo ainda estava com diversos pensamentos sobre os últimos acontecimentos. Procurava respostas quando não era momento de recebê-las.

- Pedro, e quanto a nós? Tipo eu e você? O que nos garante um amanhã?

Pedro ficou quieto por alguns instantes, procurando uma resposta e então...

- Deus!

- Você escapou bem, mas não me convenceu muito.

- Não é pra te convencer, é só para você acreditar. Lembra? Começo, meio e fim.

- E?

- Ele é o escritor, quando Ele entender que é hora do fim da historia, então é o fim.

- E até la?

- Até la a gente vive e aprende com as historias dos outros.




O PORTÃO

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Fazia muito tempo, eu pensei em muitas coisas andando por estas ruas e me lembrei de muitas coisas que vivi aqui. Quando volto a minha realidade percebo que estou agora parado no portão. Ao olhar para baixo vejo o meu cachorro sorrindo para mim, em forma de latidos, claro. Então coloquei as minhas malas no chão. Sim, eu voltei!

Comecei a olhar para tudo ao redor, as casas, as pessoas, o portão. Tudo estava ali, como era antes. Parecia que nada tinha se modificado, mas ao olhar para mim tinha duvidas, acho que na verdade apenas eu é que tinha mudado, e então voltei. Mas desta vez eu voltei para ficar, sim, para ficar. Voltei para as velhas coisas que eu deixei.


As expectativas eram muitas, por isso resolvi abrir a porta devagar, mas antes deixei a luz entrar primeiro. Eu precisava sentir aquilo novamente, aquele velho cheiro, aquele velho ar que sempre passou por ali. Percebi que todo o meu passado se iluminava, por isso eu fui, eu entrei. Sim, estou de volta, e desta vez para ficar, porque sei que aqui é o meu lugar. Voltei para tudo o que tinha deixado. Para os meus amigos, para a minha família, para as minhas lembranças, é, eu voltei.


Sim,tudo aconteceu quando eu parei em frente ao portão!

UMA NOVA SOLICITAÇÃO

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Já era tarde, o relógio já marcava 23:00 horas de uma noite fria em São Paulo. Correndo pelas escadas da estação vinha Marcos com sua mochila na costas, boné na cabeça e com o pensamentos cheios de planos para essa semana. O trem logo iria chegar, por isso precisava se posicionar da melhor maneira na plataforma para conseguir fazer a sua viagem sentado.

Ao olhar para o lado da plataforma viu um rosto conhecido. Era Caio, seu colega dos tempos de escola. Sujeito diferente era aquele. Com calças de cantor de rap e cabelos bagunçados. Caio era um cara que vivia fora de sua realidade, ou talvez as pessoas que vivessem fora da dele, como sempre costumava dizer.

Marcos buscou se aproximar do colega e então chegou perto. Caio logo reconheceu quem era e os dois se cumprimentaram, fazia alguns anos que não se viam.

- E ai cara como você esta? – perguntou Marcos

- Eu to bem cara. To vindo do role.

- Em plena segunda feira? Só você mesmo.

- E tem dia certo para sair?

- É verdade, tinha me esquecido desse detalhe. Todo o dia é dia de curtir – e ria das maluquices do amigo

- E você Marcos? Esta vindo da onde com essa mochila nas costas?

- Da casa da minha namorada, ela mora no interior de São Paulo. Passei uma semana la.

- Que viagem em.

Marcos olhou para o relógio e em seguida para os trilhos. Já era possível observar o trem se aproximando. Teriam alguns minutos de conversa dentro do trem. O silêncio fica por instantes entre ele, até o momento em que entram no trem e as portas se fecham. A conversa tem o seu reinicio.


- E o pessoal da escola? Tem visto? – perguntou Caio

- Nunca mais cara. Tenho alguns deles no Face, mas nem tem mais assunto.

- Já era né? O tempo vai passando e vamos deixando amigos pelo caminho.

- Fica só o face.

- Pois é, só o face.

O trem para na próxima estação e Marcos já se prepara para descer. Que pena, a conversa durou pouco. Os dois se cumprimentam e para matar o silêncio acabam falando de marcarem alguma coisa juntos qualquer dia.

- Até mais cara – diz Marcos

- Falou mano, a gente se vê. Ah, e me adiciona la no face, é Caio Pires.


- Demorou, pode deixar.

LEMBRANÇAS

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Uma maneira de voltar no tempo é olhar os álbuns de fotos. Ali vemos os momentos mais felizes da nossa vida. Momentos de saudade, momentos de reflexão. Uma verdadeira maquina do tempo. Eram os pensamentos da Marta, uma mulher com seus cinqüenta anos, com muitas coisas para se lembrar.

- Filha, vamos ver algumas fotos?

A filha já sabia que era um momento importante para a sua mãe, sabia que era um momento de viajar no tempo, e desta vez ela queria uma acompanhante nesta viagem. A filha resolveu embarcar nesta maquina do tempo.

- Olha aqui filha, fotos do dia em que você nasceu.

- Nossa mãe, como eu era feia. Não posso deixar meu namorado ver essas fotos.

Alguns risos. Para Marta, a sua filha nasceu linda, era linda e sempre seria linda. Lembrava ela de dias difíceis, dias de duvida. Não sabia como cuidar de uma criança. Era mãe solteira. A vida não era fácil. Ainda mais naqueles dias.

- Essas aqui são daquela viagem que fizemos.

- Que lugar é esse mesmo mãe?

- Campinas

Bons dias esses no interior paulista. Tinha pego férias do trabalho e queria levar a filha para passear. Resolveu ir para Campinas. Era mais barato.

- Bons dias esses em mãe.

- Foram sim.



Mais fotos iam aparecendo a cada pagina virada do velho álbum da família. Ali tinha fotos dos aniversários da filha, fotos de festas na escola, ceias de natal, comemorações de ano novo. Muitas fotos, muitas experiências. Dias divertidos, boas lembranças, dias que não voltam mais.

- Quantas fotos em mãe. Que viagem.

- Boas viagens filha, boas viagens.

- Espero que quando eu ficar velhinha eu possa também ter um álbum de viagens como esse da senhora.

- Vai ter sim filha. Mas eu torço para que você também tenha um ótimo companheiro de viagem, como eu tive nessa tarde.


QUEM FOI O MELHOR?

quinta-feira, 3 de julho de 2014

- Pai, o senhor viu o Pelé jogar?

- Sim, eu vi.

- E ele era bom mesmo?

- Filho, o Pelé era um jogador completo. Chutava com as duas pernas, cabeceava, driblava. Como eu disse, ele era completo, nunca vai ter outro como ele.

- Hum, entendi, mas o Garrincha não era melhor? O vovô dizia que o Garrincha era melhor.

- Não acho que seu avô tenha dito isso.

- Disse sim. Pai, nos vídeos do Pelé ele não faz tudo isso que você fala. Eu assisti ao vídeo da final da copa de 58 e sei la, não me parecia tudo isso não.

- Ali ele só tinha 17 anos – o pai já mudava a expressão, começando a ficar nervoso.

- Pode ser, em 70 ele já era o cara né? Mas também, com aquele timaço que ele tinha do seu lado fica fácil. O Cristiano Ronaldo joga em Portugal sozinho, por isso que não ganha uma Copa do mundo.

- Pelé era o cara meu filho. Quando o Santos estava perdendo, ele já avisava a torcida que ele ia virar o jogo.

- E virava?

- Sim – suspira o pai – ele mesmo fazia os gols.

- bom, eu não vi ele, mas para mim o Ronaldinho foi o melhor que eu vi.

- Você esta maluco –e o pai dava risadas – o Ronaldinho e outros só jogaram bem por um período de tempo, depois sumiram. E repito, o Pelé era um jogador completo.

- E o Maradona?

- Se o Maradona fosse bom com a perna direita seria sim um jogador completo, mas não era, então também não podia ser melhor do que o Pelé.

- Mas também naquele tempo, queria ver se fosse nos dias de hoje.

- Ele seria ainda melhor. Filho o Pelé era completo. Completo!

- Talvez. Mas e o Messi em, esse cara joga muito em pai, esta entre os três melhores que eu já vi. Eita cara decisivo!


- Pelé parou uma guerra. Isso basta!

RESILIENTES

terça-feira, 1 de julho de 2014

Não me lembro das aulas de Física, tão pouco das aulas de química, essas sinceramente eu nem sei como passei de ano nos tempos de escola. Talvez seja porque o professor gostava de mim, mas acho que não, penso que seja pelo fato dele querer estar cansado e gritar por aposentadoria. Talvez na cabeça dele eu fosse apenas um aluno que depois de três anos não sabia o que era resiliência.

Resiliência é ser forte, ser alguém resiliente é ser uma pessoa que da a volta por cima, não importa o quão forte tenha sido a pancada. O que isso tem a ver com a Física ou com a química? Eu não me lembro, ou para falar a verdade não sei mesmo. Mas como eu disse, eu até hoje não sei como passei nessas matérias nos tempos de escola. E espero que meus professores não estejam lendo isso, só o de português, é claro.

Durante a vida já ouvi muitas historias, sejam elas tristes ou felizes, as historias estão presentes em nossa vida diariamente, e até mesmo você já deve saber de cor muitas delas. Mas tem um tipo de historia que meche conosco, as historias verdadeiras, daqueles que estavam no chão, com o rosto na lona, mas que conseguiram se levantar e dar a volta por cima. Esses são os resilientes, gente forte, pessoas com fibra. Não por serem melhores do que os outros, mas por se levantarem primeiro do que muitos.


Acredito que agora nós já estejamos falando a mesma língua, acredito que tanto você quanto a minha pessoa já sabemos o que significa tal palavra, ainda que se caísse perguntas sobre química e física em uma prova a nossas notas provavelmente seriam vermelhas. Bingo! É isso que os resilientes fazem, saem do vermelho, buscam extrair forças das fraquezas. Já ouvi historias de pessoas que estavam enfermas e prontas para morrer, mas conseguiram arrancar forças para vencer a doença e hoje estão de pé. Tem pessoas que venceram percas, roubos, desilusões e traições. Para essas eu deixo os meus aplausos e a minha admiração.

Vejo mulheres fazendo comida para seus filhos em busca de um futuro melhor, vejo crianças buscando água para a família que sofre com o serviço de água cortado, na esperança de que amanhã haverá banho pra se limpar e água para se tomar. Ainda andando nas lembranças da vida vejo uma senhora implorando para a imobiliária não fazer o despejo da sua família e o senhor chorando por não conseguir dar uma situação melhor para sua esposa e seus filhos. Meus olhos se enchem de lagrimas, mas não antes de eu me lembrar que esse tipo de gente é única, é batalhadora e procura esperar sempre o melhor. Por essas pessoas eu não paro, por essas pessoas eu sigo em frente, acreditando que depois da curva vem coisa boa por ai, afinal, ainda que minhas notas fossem baixas na escola, eu dei a volta por cima e me tornei resiliente.

AMIGOS, APESAR DE TUDO

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Ninguém gosta de trabalhar, ninguém mesmo, ainda que apareça algum engraçadinho falando que tem prazer no trabalho, que o trabalho engrandece o homem, isso é tudo conversa. Existem dias de estresse, dias em que você não quer ver ninguém, nem mesmo levantar da cama, ainda mais ver aqueles velhos camaradas do dia a dia, que batalham junto conosco, cada um buscando o que é seu, no caso dinheiro, lógico. E sério, encontrar o Fabio naquele dia não seria legal, não mesmo, já fazia dias em que não estávamos nos falando.

Começa o dia, olho para o relógio, mas besteira, ele já estava gritando antes de me levantar, e eu ainda vou quebrar esse celular que fica apitando um barulho chato avisando que eu tenho que trabalhar, como se eu não soubesse. E assim vou eu, a rotina de sempre, o mesmo ônibus, os mesmos passageiros, o mesmo sono de cada dia. Espero que ninguém nunca me veja dormindo, não é uma boa visão logo assim tão cedo.

Entro na empresa, os mesmos “bom dia”, o mesmo apertar de mão e o mesmo trabalho de cada dia, e ali esta ele: o Fabio. Nós somos amigos, mas não estamos nos falando, e já faz alguns dias, e isso, bem, isso é chato. Imagine só ficar sem falar com seu amigo, são anos de amizade. E sabe o que é chato em uma amizade? Quando você vê o cara todo dia, e o mais chato? Ele trabalha com você.


- Oi, bom dia – digo para ele

- Bom dia - ele me responde

Nós dois queríamos dizer mais, queríamos falar do fim de semana, do que fizemos, das encrencas em que nos metemos, dos gols do fim de semana, do nosso time que perdeu mais uma. São tantas coisas, e a minha mente vai trabalhando assuntos para conversar, mas a minha língua não se move e a minha boca não expressa nada. Deve ser esse meu orgulho besta que não quer dar o braço a torcer. Mas o Fabio também não diz nada, ele segue quieto, mas eu sei que ele esta louco para puxar assunto, nós fazemos isso a três anos, mas não hoje, não agora.

- Me passa essa ferramenta – ele me pede algo relacionado ao trabalho

- Beleza, ta na mão – muito pouco para uma amizade, é meu pensamento

O dia vai passando, e olha só, a manhã passa e nem percebemos, isso é uma mágica que acontece na vida daqueles que trabalham o dia inteiro e acabam por não verem o tempo passar, e ele passa, e como passa rápido. Neste passar de tempo, já são três anos, e são três anos de amizade, e alguns dias sem falar nada. O motivo da briga? Nem me lembro, mas não posso ceder, ele se quiser que peça desculpas, mas eu nem sei o que desculpar, logo, nem sei por que estamos brigados. Coisa de amigo, mas esta demorando para o silencio acabar, eu queria contar para ele da menina que estou gostando, ah, tenho certeza que ele ficaria muito feliz em dar palpite e me zoar, mas parece que não será hoje.

Chega o período da tarde, depois daquele almoço gostoso, hoje no caso a bela e boa feijoada. Volto para o mesmo lugar e o Fabio também.  Pega a peça, coloca na caixa, fecha a caixa e a deixa de canto para fazer a próxima. Achou estranho? O nome disso é rotina. Agora faltam dez minutos para o fim do dia, vou falar algo, puxar assunto. Ele pega as peças, eu pego a caixa, então ele coloca as peças na caixa e chega a minha vez de fechá-la.  As coisas não saem como o esperado. Fechei errado, as peças ficaram tortas e então um inicio de risada surge na boca do Fabio, e na minha também. Eu não falo nada, nem ele, mas nem precisa, somos amigos e amigos se entendem, mesmo com uma risada.

- Falou, até amanha – ele me diz na hora de embora

- Até amanhã- eu respondo.

Eu vou embora sabendo que amanhã tem mais, e ele também sabe que amanhã tem mais. Mais caixas, mais peças, mais rotina e mais risadas, ou seja, mais amizade!


 

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