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The Strokes- Reality Awaits

sábado, 3 de outubro de 2026

Após um longo jejum, a banda norte-americana The Strokes lança um novo álbum, seis anos depois do sucesso do disco anterior. A banda foi para a Costa Rica para gravar o conteúdo e ao lançá-lo, viu um misto de elogios e críticos. Se antigamente os Strokes seriam aqueles que iriam salvar o rock, hoje em dia eles preferiram ir para outra vertente, não usando tanto as guitarras, preferindo um som mais etéreo e oitentista, além de vermos o vocalista Julian Casablancas usar e abusar do uso de autotunes, fazendo que sua voz mudasse em diversos tons ao longo das canções, levando elas a serem mais robóticas. Com nove músicas, temos um clima em que as guitarras e seus arranjos imprevisíveis acabam sendo destacados, com um clima mais nostálgico. Sobre o autotune de Julian, isso não me incomodou tanto.


Tudo começa com "Psycho shit", que já nos apresenta o tom de todo álbum, com suas experimentações e autotunes. Aqui temos algo mais intimista, dando um destaque maior para a performance do Julian como vocalista. A letra faz uma critica contra a classe dominante, que pisa naqueles possuem menos. A critica politica segue com "Dine N' Dash", ao falar sobre os erros dos governantes, que nos trazem dividas e sempre saem do cargo sem pagar o tanto que tiraram. Falando sobre o som, ele é mais etéreo e com um clima melancólico. "Lonely in the future" é a que mais se aproxima do antigo Strokes, com as guitarras fazendo aquilo que os fãs mais nostálgicos gostam. A letra é sobre o isolamento da Era digital e sobre a desconexão humana. Julian canta que esse estilo de modernidade também nos afasta de quem éramos no passado. A canção "Falling out of love" traz novamente o tom intimista e um clima romântico, sendo uma cronica sobre o fim de um longo relacionamento e o processo do divorcio. Em "Going to babble on" a banda faz uma critica sobre o excesso de informações que temos em nossos dias. Julian usa muito do autotune, mas apesar disso, gostei bastante dessa canção.

A música "Going shopping" foi um dos singles dessa produção e segue com as criticas contra a sociedade atual, dessa vez, focando no consumismo das pessoas. A voz de Julian muda várias vezes por conta da tecnologia usada. "Liar's remorse" faz reflexões sobre a culpa, mentiras e consequências de nossas escolhas, buscando mostrar a realidade nua e crua das coisas. Ela começa muito fraca, mas ganha muita força e impulso na final, por conta da guitarra do Albert Hammond Jr. A canção "The fruit of conquest" nos leva para o estilo groove dos anos oitenta e fala como os ocidentais cresceram em cima dos outros povos. Para mim, essa é uma música estranha, onde o autotune atrapalha. Por fim, o álbum termina com "Tyrants of the mellow moon", sendo mais épica, e ao mesmo tempo sombria e progressiva. Ela fala sobre os colapsos que passamos na vida. Os Strokes fazem desse disco uma critica politica e social, a nada animador sobre a humanidade. O tom aqui nos lembra a outra banda de Julian, o The Voidz, se distanciando bastante do som que os Strokes faziam em outras produções.

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