Antes de fazer a análise do álbum, é importante dizer que esse não é o primeiro disco de uma das bandas mais famosas da Argentina. O Babasonicos começou no início dos anos noventa, com um estilo de rock mais cru, mostrando a força da sua juventude. Mas nesse disco lançado em 1999, chamado "Miami", começamos a ver uma leve transição de som e estilo, colocando novos instrumentos, violão e até mesmo um estilo mais leve a forma de cantar. Além disso, as músicas aqui possuem letras de protesto, com um som mais psicodélico e uma estética experimental. Os integrantes dizem que esse álbum é um reflexo da Argentina dos anos noventa, e a critica relacionada ao nome "Miami" é por causa de argentinos de classe média que tinham como alvo social ir viajar para Miami.
Babasonicos- Miami
sábado, 7 de novembro de 2026
A primeira música é uma viagem sonora muito boa com "4 A.M", que nos fala sobre uma pessoa que acordou de madrugada e não reconhece a própria casa, sendo um hino da alienação urbana. A canção "Desfachatos" começa com um solo muito bom de baixo, abordando a marginalidade e a falta de escrúpulos, criticando a falta de rumo ético na sociedade. A psicodelia entra em cena em "El ringo", que bastante etéria, fazendo varias mudanças de tom ao longo dela, com a letra sendo sobre o efeito de calmante que a mulher amada faz na vida dele. "El Sumum" segue o mesmo tom, sendo uma critica contra a Argentina dos anos noventa e maneira que eles estavam vivendo, sendo sarcástica e bem humorada. O disco segue com a canção "La roncha" que serve como um hino de suspense. A música "Paraguayana" faz várias experimentações, colocando até mesmo o rap dentro do som, servindo como uma viagem psicodélica e sensorial.
A banda faz uso do violão e um estilo mais balada é a música "Valle de valium", que já seria uma preparação para os próximos discos que estavam para serem lançados. É o grande hit do disco e fala de como o remédio pode vir a acalmar pessoas, mostrando como pessoas são presas em coisas para se tornarem felizes. "El playboy" traz um rock nos lembra os anos sessenta, com uma letra irônica, ao abordar um homem sedutor, que vive de mentiras enquanto o país esta prestes a quebrar. As experimentações e recortes musicais seguem com "Drag dealer" e "Combustible". Ao ouvir "Charada", me lembra de sons noturnos da cidade de Buenos Aires. Uma outra boa canção é "Grand Prix", que é mais reflexiva, sendo cantada pelo guitarrista da banda, fazendo uma metáfora de uma corrida de alta velocidade com a obsessão e a determinação cega. Em "Mal viage" também temos uma curta imersão sonora, mas estética. Com uma boa melodia e um bom rock, temos "El shopping", que critica ferozmente o consumismo daquela década. O disco termina com "Casualidad", que é uma canção bonita, tendo a letra mais leve do álbum, ao fala sobre deixar a vida seguir em frente sem tentar controle.
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