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O Drible

segunda-feira, 6 de abril de 2026

A literatura nacional nos apresenta ótimas histórias, e uma delas foi escrita por Sérgio Rodrigues, lançado em 2013, que busca falar sobre relacionamento de paternidade e segredos do passado, usando como pano de fundo o futebol, um dos temas mais importantes do público nacional. A linha narrativa segue com vários diálogos entre pai e filho, buscando lidar com os problemas do passado, a falta de afeto e a descoberta de quem é a pessoa que foi seu pai. Temos assim o jovem Neto é o filho ressentido, que volta a se aproximar do pai, chamado Murilo, que está velho e doente, mas que no passado era um jornalista esportivo muito conhecido, porém, muito arrogante, que nos diálogos com seu filho, acaba misturando histórias, para esconder o passado.


Após muitos anos de afastamento, Neto visita o pai, Murilo, que está perto da morte, e tenta assim salvar o pouco de relacionamento que eles possuem, e mesmo com uma relação fria e cheia de ressentimentos, o filho tenta finalmente se dar bem e entender o seu pai. A trama nos mostra Murilo como um pai ausente ao falar sobre o passado, e Neto cresceu emocionalmente abandonado, que fez com que o garoto vivesse uma vida de frustração, sem grandes conquistas. O que os une é um assunto em comum, o futebol, pois Murilo começa a falar para Neto a respeito do jogador Peralvo, que segundo o jornalista, era um jogador genial e misterioso. Murilo fala que Peralvo foi o maior craque que já viu, mas que nunca obteve reconhecimento. Assim, a narrativa descrita por Sérgio é cheia de realismo mágico, pois Murilo conta com nostalgia sobre o passado e esse tal atleta que ele viu jogar. Além disso, vemos o quanto que Murilo foi um jornalista egocêntrico e cruel, com uma carreira cercada por polêmicas, e assim, passamos a ver que a narrativa de Murilo pode ser irreal, e o próprio Neto acaba por perceber que o passado do pai esconde mistérios.

O livro alterna entre passado e presente, onde vamos das conversas entre pai e filho até o passado de Murilo e suas escolhas. As atitudes de Murilo o levaram ao afastamento do sucesso, se tornando um velho isolado de tudo, inclusive do filho. Por outro lado, Neto também acabou sendo uma pessoas sem sucesso, vivendo de nostalgia, nos mostrando os problemas de um abandono emocional. Enquanto Murilo segue enaltecendo Peralvo e sua mágica com a bola, com dribles impossíveis, Neto percebe que o jogador nunca existiu, sendo apenas uma ficção contada pelo pai, para esconder uma outra história, do envolvimento de Murilo com a Ditadura militar. Na verdade, o jornalista tinha acesso a pessoas de poder, e ele mesmo usava a arte da escrita para endossar a Ditadura. Sendo assim, vemos quena verdade, o grande drible foi aplicado por Murilo em cima de Neto, ao ficar o enrolando com essa história do Peralvo. Vemos assim que o jornalista driblou o filho, driblou a culpa, driblou também a verdade, já que ele não conta as coisas que fez e o quanto ele colaborou com um dos momentos mais violentas do Brasil. Netto então percebe que o pai sempre foi manipulador e incapaz de amar plenamente. A reconciliação não existe, o final do livro é amargo e realista, com um pai tentando um desfecho feliz e mentiroso, e um filho seguindo frustrado pela ausência e egoismo do pai.

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