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Novelas, meu avô e as conexões familiares

domingo, 16 de novembro de 2025

Sou uma pessoa que passou a infância nos anos noventa, uma década mais analógica, em que tudo era bem diferente de hoje e dia. Vivemos tempos em que tudo é muito rápido, não da tempo para respirar, uma ação atrás da outra. Já percebeu que o dia passou e você nem viu? Não lembramos mais de conversas, do que comemos e as vezes até onde guardamos o carro. Eu mesmo esses dias guardei o carro em uma garagem, mas ao sair não sabia onde meu veículo estava. Bem, mas nos anos noventa a vida tinha horário, e ele era pautado pelas novelas da Globo. Chegava da escola na hora da novela das seis, jantava na novela das sete e ia dormir quando acabava a novela das oito. Além disso, havia uma conexão familiar através das tramas globais, e foi assistindo elas, que me recordo de momentos com meu avô e meu pai.


As novelas faze parte do cotiano do brasileiro, não tem jeito. Muitos possuem vergonha de falar que assistem, mas é só lembrar de um personagem que a pessoa logo se lembra de algum bordão. Como se esquecer do "Rei do gado" e as brigas de duas famílias rivais? Como não se lembrar de como a "Próxima vitima" parou um país para saber quem era o assassino da trama? E se eu falar de "Avenida Brasil" e como a novela parou o país em seu último episódio, talvez sendo um dos últimos grandes sucessos da televisão brasileira. Mas enfim, novelas falam de conexões, e quando penso nelas, volto no tempo, e me vejo sentado no sofá, vendo televisão com meu avô, e anos mais tarde com meu pai. É nessa ordem mesmo, primeiro com meu avô, com quem fui criado. O homem assistia todas as faixas de horário, acompanhava a vida de diversos personagens, e estava ali eu, do seu lado. Se queria encontrar meu avô as 6,7 e 9 da noite, bastava ir para o sofá ou para o quarto dele. O homem estaria ali, com os olhos encantados vendo novela. Não tenho preconceito com as tramas globais, e até gosto, mas também gosto muito das experiencias com o homem mais importante da minha vida, Que saudade!

Me lembro que a última novela que vi do começo ao fim foi "Mulheres apaixonadas", perdendo apenas um capitulo, em uma época em que se você não estivesse em casa, perdia, pois não havia streaming. Eu dormia em uma beliche, meu avô na cama debaixo e eu em cima. Nos maravilhamos com cada trama. Não falávamos nada durante todo o episódio, não havia conversa. Queríamos viver o momento, e foram mais de cem dias em que a cena se repetia. Eu, meu avô, o Leblon e a história contada por Manoel Carlos. Foi a primeira e última produção da Globo que vi do começo ao fim, sem perder nada. Claro, com minha mãe vi várias novelas, mas nada como o que foi vivido com meu avô. Lembrar dele, é lembrar de novelas. Anos mais tarde, me aproximei do meu pai, que também tinha o habito de assistir novelas. A diferença? Ele só assistia as que passavam as seis, pois gostava de histórias que se passavam no âmbito rural. Com ele vi "Cabocla". Ate hoje, se lembrar dessa telenovela, é me lembrar daquele sofá, daquela casa e daqueles anos. Vou confessar, hoje em dia assisto algumas, e com minha esposa, numa outra fase da vida. Vimos "Verdades secretas", "Todas as flores" e "Vale Tudo". Essa ultima, nos divertíamos muito com a trama de Odete Roitman. Por fim, as novelas fazem parte da minha família e das nossas relações. Seria isso o Brasil ou é só na minha casa mesmo?

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